Desconfiança no STF bate 60%, maior índice histórico em 2026
O cenário político brasileiro ganhou um novo tom de sombria instabilidade nesta terça-feira, 20 de março de 2026. Um levantamento recente aponta que 60% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal. É um número que corta a sociedade como uma faca e marca o ponto mais alto de descrença institucional desde que os registros começaram três anos atrás.
A pesquisa foi conduzida pela AtlasIntel entre os dias 16 e 19 de março. Não são apenas números frios; eles representam uma fissura profunda na percepção pública sobre o poder judiciário. Enquanto 34% mantêm alguma fé na Corte, mais de dois terços da população expressam dúvidas sobre sua imparcialidade ou competência. A margem de erro gira em torno de dois pontos percentuais, com confiança estatística de 95%.
Por que os números despencaram agora?
A queda não apareceu do nada. O desgaste do tribunal vem crescendo devagar, mas se acelerou de forma violenta no último ano. Em janeiro de 2023, a confiança era equilibrada: 45% confiavam contra 44% que desconfiavam. O abismo começou a se formar em 2025. Agora, em março de 2026, a distância entre esses grupos é brutal.
O catalisador dessa mudança parece ser a condução do inquérito envolvendo o Banco Master. Houve vazamentos que colocaram ministros sob a mira do público. As investigações apontam suspeitas de benefícios financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, que teve prisões marcadas em novembro de 2025.
O nome do ministro Alexandre de Moraes surgiu repetidamente nesses relatórios. Fala-se de contatos diretos, inclusive no dia exato da primeira prisão do banqueiro. Isso gerou perguntas difíceis na sala de visita e nos grupos de mensagens. Se a imagem de um magistrado depende de sua intocabilidade financeira, qualquer sombra vira acusação. Há também menções a contratos com a esposa do ministro e até ao colega Dias Toffoli. O escândalo virou combustível para a opinião pública insatisfeita.
Polarização política e diferenças sociais
Viram o que eu estou vendo aqui? A divisão é tão clara quanto uma linha de corte no mapa eleitoral. Entre quem votou no ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, a desconfiança chega a quase unanimidade: 96,5% não acreditam na instituição. Do outro lado, os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva mostram um cenário diferente, mas não imune à crise. Sete de cada dez dizem confiar, sim.
Mas calma lá. Mesmo nessa base tradicionalmente favorável, a terra tremeu. Desde 2025, a confiança entre lulistas caiu 22,7 pontos percentuais. Isso contrasta com levantamentos anteriores, onde esse grupo via a Corte como aliada do governo. Quando seus próprios apoiados perdem a fé, sabemos que algo estrutural mudou. Não é só rixa partidária; é perda de capital social.
A renda também dita quem acredita. Curiosamente, a única faixa de população que ainda tem mais positivos do que negativos são aqueles que ganham acima de R$ 10 mil mensais. Para quem ganha menos, a desconfiança é a regra. A elite financeira vê segurança no judiciário; o restante, sente-se exposto.
Jurisdição e competência sob questionamento
Além de confiar ou não, as pessoas estão avaliando a capacidade técnica. Quase 60% acham que a maioria dos ministros não tem competência nem imparcialidade para o trabalho. Mais grave ainda é a visão sobre a jurisdição atual. Cinquenta e três por cento dos entrevistados acreditam que o caso do Banco Master não deveria ser julgado pelo Supremo.
São dados que sinalizam um desconforto enorme com o ativismo judicial percebido. Se metade da nação acha que o processo está no lugar errado, o tribunal perde legitimidade independente do veredito final. Isso cria um cenário onde qualquer decisão futura será contestada nas ruas antes mesmo de sair no Diário Oficial.
Análise de especialistas
Para entender o quadro, olhamos para a academia. Oscar Vilhena, professor da Fundação Getulio Vargas, conecta os pontos de forma direta. Segundo ele, a queda não é isolada. Está ligada à polarização extrema que consome a vida pública brasileira há anos.
Vilhena explica que o STF assumiu um papel protagonista exagerado em grandes questões nacionais. Quando uma instituição resolve disputas políticas diretamente, ela vira alvo de disputa política. O desgaste atingiu seu ápice com as revelações comerciais sobre Vorcaro. A transparência, que deveria acalmar, parece ter irritado mais, pois mostrou conexões que o público prefere ignorar.
Perguntas Frequentes
Qual é a principal causa da desconfiança no STF?
O principal fator citado pelos entrevistados é o escândalo do Banco Master, que envolveu supostos benefícios financeiros entre o banqueiro Daniel Vorcaro e ministros da Corte. Além disso, a polarização política e o ativismo judicial exacerbado contribuíram para o declínio contínuo desde 2025.
Quem foi responsável pela pesquisa divulgada?
O levantamento foi realizado pela AtlasIntel entre os dias 16 e 19 de março de 2026. Foram entrevistadas 2.090 pessoas, com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Como a opinião varia entre eleitores de Bolsonaro e Lula?
Há uma polarização intensa: 96,5% dos eleitores de Bolsonaro desconfiam da Corte, enquanto 71,4% dos eleitores de Lula demonstram confiança. Contudo, a confiança entre lulistas caiu 22,7 pontos desde 2025, indicando desgaste generalizado.
Os brasileiros acham que o caso do Banco Master pertence ao STF?
A maioria discorda. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados acreditam que o processo de liquidação do banco não deveria ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, preferindo uma instância judicial comum ou administrativa.