Saiba mais sobre zumbido e perda auditiva na entrevista com Dr. Ítalo Medeiros Categoria:

A Menthel Siemens traz com exclusividade entrevista com o pernambucano e otorrinolaringologista Dr. Ítalo Medeiros, abordando os temas zumbido e perda auditiva. Graduado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, com especialização em otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo, USP, participou do Grupo de Pesquisa em Zumbidos do Hospital das Clínicas da faculdade de Medicina da USP por 10 anos e formado nas duas principais terapias de suporte ao paciente com zumbido, faz do Dr. Ítalo Medeiros, referência e um dos profissionais mais respeitados no tratamento desse sintoma.

Dr. Ítalo Medeiros

1. O que é zumbido?

Dr. Ítalo Medeiros: Zumbido é a percepção de um som na orelha ou na cabeça que não é gerado por uma fonte sonora fora do corpo humano. Ele pode ser de vários tipos: cigarra, TV fora do ar, grilo, clique, asa de borboleta, pulsação etc. É um sintoma bem comum. Alguns estudos chegam a falar que a cada cinco pessoas no mundo, uma vai se queixar de zumbido. Na maioria das vezes somente o próprio paciente o sente. Em algumas situações, no entanto, o médico ou amigos também podem percebê-los. São os zumbidos que chamamos objetivos. Esses são raros.

2. O que pode causar zumbido?

I.M.: A causa mais importante de zumbido é a perda de audição. Mesmo leve, ela pode gerar zumbido e em 94% dos nossos pacientes com essa queixa a perda de audição é encontrada. Problemas nas taxas de gorduras e açúcares no sangue, dos hormônios da glândula tireóide, problemas do pescoço, da articulação da mordida, medicações, abuso de substâncias excitantes como chocolate, chá e café estão entre uma série de causas que podem também causar zumbido.

3. Se uma pessoa desconfia que sofre de zumbido, o que ela deve fazer?

I.M: Procurar um médico otorrinolaringologista para que ele avalie o seu ouvido, a sua audição e o funcionamento desse sistema. A surdez é um dos mecanismos iniciais que fazem com que o zumbido apareça. Associado a isso, vários outros fatores podem ser adicionados ao aparecimento do zumbido. Mesmo que não considerem importantes, uma passada no especialista é sempre de bom “tom”.

4. Zumbido tem cura?

I.M.: Em alguns casos definitivamente sim. Um exemplo simples é a limpeza de uma orelha com rolha de cerúmen. De imediato o paciente fica sem zumbido. Mudar hábitos alimentares em pacientes com zumbido e hipoglicemia ou problemas do colesterol podem eliminar o sintoma. Em algumas situações a correção da perda de audição pode resolver por completo essa queixa. Em outros pacientes a cura total pode não ser possível, mas sempre há como melhorar. Incluindo a relação do indivíduo com o seu próprio zumbido e permitindo uma vida tranquila mesmo com ele. Isso sim é possível. Gosto sempre de deixar uma mensagem de otimismo. Já vi tantas vidas mudarem após o tratamento.

5. Em que faixa etária ocorre com mais frequência?

I.M.: Nos nossos idosos por conta da perda de audição, que é frequentemente encontrada nessa faixa etária. Mas crianças e adultos podem ter zumbido. Não há exclusividade.

6. O que pode agravar o zumbido?

I.M: Diferente do que muitos acreditam, o volume do zumbido tem limite. Ele não aumenta indeterminadamente e na verdade esse aumento é muito pequeno. A percepção dele (o jeito como o cérebro percebe ele) é que pode variar mais. Podemos prestar muita atenção (e nos incomodarmos muito) com um gemido de uma criança que chora dois quartos ao lado do seu e sequer ligar para o barulho de uma tempestade quando estamos deitados na varanda de um sítio.

7. Zumbido pode causar perda de audição?

I.M.: Nunca. Ele é consequência da perda de audição e não sua causa. Ele é resultado desse ajuste que o cérebro tenta fazer quando temos a perda de audição.

8. O uso de aparelho auditivo ameniza e auxilia no tratamento do zumbido?

I.M.: Sim. A terapia sonora é atualmente um das alternativas para o tratamento do zumbido. Uma das mais aceitas no mundo inteiro. Fala-se inclusive da necessidade precoce de repor com aparelhos auditivos a perda de audição que o paciente apresenta. O aparelho auditivo a partir da amplificação (aumento) dos sons do nosso meio estimula o nosso cérebro a mudar o jeito que ele percebe os sons. Há um processo de remodelação da área de audição na nossa cabeça, fazendo com que o cérebro deixe de escutar o zumbido. Além dos aparelhos convencionais de audição, hoje podemos acoplar outros sons junto a ele, fazendo com que essa estimulação possa ainda ser mais efetiva (o que chamamos de gerador de som e pode estar no mesmo aparelho de audição).